O Vazio de uma paixão
Hoje pensei que fosse dormir mais cedo. Tinha cansaço e estava feliz que aproveitaria melhor o sono antes da aula matinal do sábado. Não. Minha natureza vampiresca prevalece. Agora, em vez de enfim dormir, venho escrever, sóbrio - assim como no post anterior incrivelmente - para simplesmente exercer uma das funções principais de meu humilde tumblr: catarse.
Lembro-me que sempre me assombrava o inconfortável estado de vontade de fazer tudo e nada simultaneamente. Esse tempo já se foi. O que acontece agora é a vontade de fazer tudo, e o nada se impor como obstáculo persistente.
Eu estava convencido de que a condição anterior provinha de ansiedade. Esse sentimento permanece porém…
Velhas emoções revivem dentro de mim, inseridas em uma nova situação, um novo desafio pelo qual meu espírito ansiava. O frio na barriga, aquele fogo revigorante, o velho contentamento descontente me tomam novamente.
O amargo lado que uma paixão oferece é justamente o vazio que antes é indiferente, mas pelo encanto se torna depois um castigo.
Ah, não me atrevo a rotular de amor, por mais sugestivas que possam ser minhas palavras. Essa condição me é divina demais para tomar o lugar dessa paixão que me aflige ao mesmo tempo que me agrada.
Não é amor, mas como arde sem se ver…
Discharge
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Sem caminho
Nunca as lágrimas preencheram minha visão como agora. Que tristeza é maior que aquela do reconhecimento da falha em todas as possibilidades que estão ao seu alcance? Talvez seja uma reação precipitada, mas a conclusão momentânea me leva à tristeza profunda… - Percebo o tom suicida deste manifesto, mas garanto, não chega a tanto, apesar de digno… Minha vaidade é grande demais para jogar fora minha própria existência…
Mantinha uma esperança de que as emoções que me eram negadas seriam recompensadas por aquelas que me amedrontavam… Pura ilusão… É tudo o mesmo sofrimento existencial de carência por outro ser. Um encanto excitante por um indivíduo externo a si mesmo, uma paixão idealizada que desmorona a minha frente, sempre que dedico um pedaço de mim a ela.
O adequado sempre é mentir, se fazer de indiferente, assim sendo superior a alguém que tem esse sentimento como algo desnecessário e incômodo. Se expressar desejo profundo e sincero, se querer verdadeiramente, só se colocará na posição inferior, sujeito às atitudes daquele que se encontra como figura superior. Ou seja, goste de verdade, sinta vontade genuína, e terá como prêmio o amargo do sentimento da futilidade, o reconhecimento do dispensável e moldável.
Caminho para o clichê da decepção feminina. Malditos clichês que me assombram e me perseguem. Talvez as coisas todas se encaixem em modelos femininos e masculinos. Tento, possivelmente, encontrar inutilmente uma feição única de mim mesmo.
Só sei que sinto tristeza quando me deparo com o fim de um caminho de coisas a serem exploradas. A decepção com uma opção não me é mais amenizada com a possibilidade de outra. As duas escolhas me deprimem agora e sigo nessa passagem turbulenta de emoções flamejantes à flor da pele, necessitadas de escolhas frias e racionais a serem aplicadas.
Minha individualidade se perde em meio a tanta comoção da alma…
Diante de uma encruzilhada cujos dois caminhos são tocados por cada pé
Talvez algum leitor tenha se infiltrado sob o meu véu de sutileza que anseia em ser levantado. Mesmo assim, sigo em usá-lo, por mais deteriorado que ele possa estar ficando.
Sinto que, por estar sóbrio, minhas habilidades de ocultar-me por entre as palavras ao mesmo tempo em que me revelo por meio delas sejam enfraquecidas. Isso é irônico porque já citei que considero a embriaguez o maior combustível para expressar-me da forma mais verdadeira possível. Talvez o álcool fosse realmente um elixir para uma expressão absolutamente sincera. Mas dizer a verdade de forma clara e direta, enquanto quer se dizer um mistério tendendo a mentira não seria expressar-se infielmente?
Assim, considero-me sincero quando digo verdades enfeitadas por mentiras. Eis a natureza da metáfora. Uma dualidade entre realidade e fantasia. Dois caminhos, percorridos simultaneamente, cada um por uma perna, de tão próximos.
Um deslegitima o outro? Por que escolher um ou outro, quando a beleza está na coexistência? Terra e ar, amor e ódio, verdade e mentira, mulher e homem…
Enérgico, Ansioso, Desejoso
Antes de mais nada, demarcar aonde vai esta expressão: a tudo a todos, foda-se…
Mas não posso delongar de maneira exacerbada e verborrágica, porque meu interlocutor alvo não gosta… Bom, difícil me expressar sem fazer isso…
Mas é para ele pra quem escrevo, então… Foda-se! Sempre quis transfigurar isto em algo simples, mas o calor da indiferença me consome… (desculpa, estou viajando, não me controlo, sujeito cujo nome me é indicado subconscientemente a não citar). Bosta! Estou envolto de meu orgulho ainda! Meu tecer lírico é incessantemente orgulhoso…
Nem ao menos citar o nome, que me é divino, visto seu dono (me remoo pelo engrandescer clichê)… E me engolfo em meio a palavras distantes para poder me expressar com toda a efervescência, mas ao mesmo tempo ocultar-me sob o eterno véu da sutileza, maldito véu que me assombra a pretexto de um orgulho ridiculamente vaidoso… Porém, posso afirmar ter conquistado uma vitória (será?).
Ah, produzo devaneios, até mesmo ao dizer que os produzo… E meu querido interlocutor alvo, força motriz de meus desejos, fica por interpretá-los de forma desagradável que eles se apresentam… Oh, the injustice it is to say something in a way that seems right, yet wrong and incapable of expressing the desired message in an efficient way to that whom I desire…
E assim, prolongo o grito que, pela forma, é inexpressivo para aquele a quem desejo comunicar-me… Assim, me entrelaço em um paradoxo: expresso-me de forma rica, para mim mesmo, porém de forma chateadora e desagradável para meu destinatário, desejado… Ó destinatário, que toma os lugares de minhas paixões, tendo reação que temo e espero ser positiva ao ler isto…
E, agora, para ser franco e simples… As palavras mergulham no meu próprio orgulho, infelizmente, e se perdem em meio à embriaguez momentânea…
Simplesmente, et oreuq, learsi…
Inusitado, emocionante, desafiador
Adrenalina com aquilo que não é dominado, com aquilo que é proibido, que é diferente… Sob o véu da sutileza, escrevo ainda, sempre a querer expressar-me, mas a ocultar-me também.
A efervescência nunca esteve tão forte. Excitação, novidade desigual. O orgulho, porém, me comanda, idiotamente. Que assim seja. Pelo menos o charme do mistério para enfeitar a escrita…
Coração acelerado, experimentação única, tentação do diferente, do proibido, do fantasiado…
Como agir diante de tamanho desafio? É algo que surpreende, que inspira, que tenta… Como lidar com as implicações? Até aonde vai o véu da sutileza?
Touché: minha aflição com muito mais que clichês
O seguinte texto, aliás sóbrio surpreendentemente, representa o contra-ataque à produção anterior. Bom, como escrevo covardemente por detrás de metáforas e alegorias, começo então o espetáculo. - De pensar que nem mesmo sob efeito do álcool, eu não sou direto e claro. Deplorável.
“Sometimes the things you are most afraid of are the things that make you the happiest.”
Eu nem assisto Brothers and Sisters, mas essa frase, da personagem Nora, me dá arrepios. - Percebo agora que sóbrio ao menos não uso tanto o fervor nas palavras sob pretexto de eloquência. - A frase resume um anseio temeroso que me aflige e que, ainda, permenecerá sob o véu da sutileza até que eu, e apenas eu, decidir que seja diferente.
Enfim, o título do texto se justifica pelas coisas da vida - clichê horrendo, inevitável porém - dentre as quais esse meu anseio que me vem, de forma a incomodar, logo seguinte à alegria da qual me deliciei e sobre a qual escrevi antes disto. Ah, metáforas que se encaixam no meu pavoneio e que me obrigam a citar Clarice Lispector - me desgostando com a incrível e inevitável capacidade do clichê irritantemente se fazer persistente nas minhas escritas (ou ideias).
“Não querer ter vaidade é a pior forma de se envaidecer?”
E assim, fujo totalmente do assunto principal desta produção, - e de algo a mais? - como que saindo à francesa - mais um clichê… - e ocultando-me sob minhas próprias palavras assim que elas terminam…
Feliz, embriagado, inabalável
Sim, sob efeito do álcool, novamente, mas diferente de muitas outras vezes, feliz, consciente de todos os sentimentos que me afligem. Tomado por uma calma interior, vigorante, pelo estado alcoolizado, porém solene pela certeza das coisas postas em ação de modo adequado.
Apesar dos pesares - clichê desgostoso - sempre presentes e inevitáveis, a dinamização ideal dos fluxos de consciência se faz presente e posso me dizer “de bem com a vida” - mais outro clichê desagradável - ao menos por este momento simples e embriagado de produção textual eloquente. E como a positividade das coisas reina soberana perante a negatividade desta vez, aquilo a ser dito é encurtado. E eis, pois, que acaba minha criação da vez…

